sábado, 11 de julho de 2015

SENTIMENTOS | Wolf


Doze anos contigo é muito tempo. Desde que me lembro de existir, tu estás lá, nas minhas memórias. Lembro-me do dia em que o pai te trouxe para casa. Eu estava na cama da minha mãe com ela, e o meu pai chegou ao quarto com uma bola de pêlo ao ombro. Lembro-me de pensar que era um cachecol, só depois vi que eras tu. Eras tão pequeno, tão peludo, amei-te logo.
Agora já estavas velho, já não levantavas quando alguém passava ao portão, já não vinhas a correr quando chegávamos a casa, por vezes caias e não conseguias levantar sem ajuda. Esta semana esgotas-te todas as tuas forças, já não conseguias andar, não conseguias nem chegar à água sozinho. Passavas os dias a ganir e eu não podia fazer nada. 
Ontem quando a veterinária veio cá, para acabar com o teu sofrimento custou muito, e ainda esta a custar. Não me deixaram ficar contigo até o teu coração deixar de bater. Demorou uma hora até nos chamarem, a mim e à minha mãe. Disseram que estavas a dormir, e que era melhor não ir-mos lá te ver. Hoje de manhã o meu avô veio cá a casa para te levar. Já não estás aqui. Custa deixar-te. Desculpa ter-te deixado. Parecia ser o melhor.

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